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A doença causada pelo uso de cigarros eletrônicos, que já registrou 2.291 casos nos Estados Unidos, com 52 mortes em cinco meses, começa a ser identificada no Brasil. Embora até agora só existam três casos confirmados no país, acredita-se que haja subnotificação da doença, por falta de conhecimento específico para diagnosticar as ocorrências. Há grande preocupação na saúde, pois apesar de proibida a venda dos dispositivos, eles são encontrados com facilidade e seu uso tem sido disseminado principalmente entre jovens, graças às estratégias agressivas da indústria com a promoção dos novos produtos, como os cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e vaporizadores, sempre difundindo um pressuposto: o do risco reduzido.

 

"Não existe risco reduzido quando o assunto é tabagismo", alertou Alberto Araújo, presidente da Comissão de Combate ao Tabagismo da AMB, em um recente evento da revista Época, com o tema "Novos produtos do tabaco - existe alternativa segura de redução de danos à saúde?". Representantes da indústria tabagista, que patrocinava o evento, não conseguiram combater os argumentos levantados por Alberto, que é médico pneumologista do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo - NETT -IDT/UFRJ e membro da Comissão de Drogas Lícitas & Ilícitas do CFM. Lincoln Ferreira, presidente da AMB, lembra que "a postura da AMB é de ocupar esses espaços de discussão para poder promover o contraditório em relação ao que a indústria tem divulgado para a sedução de novos consumidores".

 

Com o intuito de esclarecer os médicos, profissionais de saúde e o público em geral, a Comissão de Tabagismo da AMB elaborou um documento com Perguntas & Respostas sobre os riscos advindos do uso dos dispositivos eletrônicos para fumar (cigarros eletrônicos e produtos para vaporização). O fact sheet será o primeiro de uma série que os membros da Comissão irão elaborar sobre os riscos do consumo dos diversos tipos de tabaco. Essa iniciativa conta também com a parceria da Fundação do Câncer e da Aliança de Controle do Tabagismo e Promoção da Saúde.

 

"Cigarro eletrônico nada mais é que uma nova versão do cigarro antigo com a tecnologia incorporada, mas com a intenção de vender a mesma droga: a nicotina, que é altamente viciante. Consumida via os novos dispositivos, o impacto na saúde é ainda mais intenso do que via os cigarros tradicionais. Ao inovar para atrair o público jovem, a indústria tabagista aumenta as chances de este público se tornar fumante de cigarros tradicionais quando adulto", complementou Araújo.

 

A proibição da comercialização de cigarros eletrônicos pela Anvisa, há dez anos, evitou o consumo do produto, e não existe comprovação de que possam auxiliar no tratamento do tabagismo, um dos argumentos utilizados pelos fabricantes. "Não há nenhum sentido usar o próprio cigarro para combater outro tipo de cigarro. Os dispositivos eletrônicos representam alto risco, especialmente para crianças, adolescentes e adultos jovens", enfatizou Alberto.

 

Essa nova ofensiva de marketing e vendas da indústria tabagista, se tiver êxito, colocará em risco as conquistas expressivas no combate ao fumo no Brasil, onde o número de fumantes caiu 40% nos últimos 12 anos, conforme pesquisa Vigitel-Brasil 2018. "É necessário esclarecer a população sobre os malefícios à saúde causados por todos os tipos de tabaco, em especial as novas modalidades oferecidas pela indústria que, de forma enganosa e sem base científica, divulgam como sendo de 'risco reduzido'", afirma Diogo Sampaio, vice-presidente da AMB.

 

Uma das estratégias educativas da Comissão de Combate ao Tabagismo da AMB é manter um diálogo amplo com a mídia. Lincoln Ferreira, presidente da entidade, destaca que a prevenção do tabagismo é multifatorial e precisa ter ecos na sociedade, nas escolas e, principalmente, em casa, entre as famílias: "A indústria do tabaco continua empregando várias estratégias com o intuito de captar novos usuários, principalmente adolescentes. Cigarros com sabor e cigarros eletrônicos são exemplos disso. Portanto, além de reforçar os cuidados em saúde para aqueles que já são dependentes, ações que incentivam a largar o vício são imprescindíveis para mudar essa realidade no país", afirma.

 

Para frear o avanço no Brasil de dispositivos eletrônicos para consumo de nicotina, a AMB também tem estado presente em diálogos com os órgãos regulamentadores. Em agosto, Stella Martins participou de duas audiências com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para falar sobre a comercialização dos e-cigarros no país. Nos encontros, Stella pontuou os riscos que o uso dos dispositivos traz para a saúde dos usuários, além de reforçar o impacto negativo que a liberação da comercialização de e-cigarro traria para o combate ao tabagismo no Brasil.

 

GRAU DE DEPENDÊNCIA NUNCA VISTO ANTES

 

Nas entrevistas à imprensa, Stella Martins, integrante da Comissão da AMB, busca sempre destacar os malefícios do uso desses dispositivos, que são anunciados como "ferramentas" para ajudar a largar o cigarro convencional. "Este mercado possui um único propósito que é incentivar adultos a manterem o vício e milhões de jovens a se tornarem tabagistas num grau de dependência nunca visto antes pelos médicos, segundo relato de pacientes e familiares. Temos que encorajar os usuários a largar o vício, e não a trocar seis por meia dúzia", alerta Stella.

 

40 ANOS DE LUTA CONTRA O TABAGISMO

 

O oncologista Antônio Pedro Mirra é um exemplo de dedicação no combate ao tabagismo. Por isso, ele foi ~ homenageado pela Comissão de Combate ao Tabagismo da AMB, que fundou há 40 anos e presidiu até 2018. Mirra foi um dos pioneiros nessa luta e responsável, em 1979, pelo lançamento do Programa Nacional contra o Fumo da AMB, que foi modelo para o Ministério da Saúde, em 1985, estruturar o programa nacional. Ele encabeçou diversas estratégias visando um mundo livre de tabaco, cigarros eletrônicos e vaporizadores. O presidente da AMB, Lincoln Ferreira, destaca que "são profissionais como Mirra que, com sua inestimável contribuição, fizeram do programa de controle do tabagismo do Brasil um dos mais avançados do mundo, resultado de um trabalho sério nas áreas de controle, prevenção, diagnóstico e tratamento do tabagismo".

 

COMBATE AO TABAGISMO: PASSADO, PRESENTE E FUTURO

 

Agosto foi um mês marcante para a Comissão de Combate ao Tabagismo da AMB, que completou 40 anos de contribuições para o desenvolvimento de iniciativas antitabagistas no Brasil. Os maiores desafios da atualidade são os dispositivos eletrônicos para fumar, que causam dependência e representam alto risco para a saúde.

 

Fonte: Jornal da AMB | DEZ 2019 

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