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O continente americano foi declarado como a primeira área do mundo livre do sarampo no último dia 27 de setembro de 2016. O anúncio ocorreu durante o 55º Conselho Diretivo da Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde (PAHO/WHO) Esse feito se deve especialmente aos projetos de imunização em massa realizados nos países locais.

 

Desde 2002, quando ocorreu a última endemia na Venezuela, a transmissão da doença passou a ser considerada interrompida. A partir de então, como o sarampo ainda continuou a circular em outras partes do mundo, alguns países americanos, como o Brasil e os Estados Unidos, registraram surtos decorrentes de casos importados, principalmente em bolsões de indivíduos não vacinados. Agora, um Comitê Internacional de Especialistas reviu as evidências sobre a eliminação da infecção apresentadas por todas as nações americanas entre 2015 e agosto de 2016 e considerou que a situação atual preenche os critérios de erradicação.

 

O sarampo é a quinta doença imunoprevenível a ser banida das Américas. Antes dele, foram erradicadas a varíola, em 1971, a poliomielite, em 1994, e a rubéola, junto com a síndrome da rubéola congênita, em 2015.

 

Contudo, tal conquista não prescinde da manutenção dos esforços. A PAHO/WHO recomenda fortemente que todos os países americanos continuem promovendo uma vigilância ativa sobre a doença e, especialmente, prossigam com uma alta taxa de imunização da população.

 

Fonte: Revista Fleury

Hoje em dia, mal abrimos os- olhos pela manhã e já somos submetidos a uma enxurrada de informações. Um processo que se repete todos os dias, praticamente nas 24 horas do dia, e com o qual já estamos tão familiarizados que nem sempre percebemos o imenso volume de novos dados que processamos, quase sem parar. Seja por meio dos tradicionais veículos de comunicação, pela internet, sites, e-mails, redes sociais, as informações nos chegam ininterruptamente. E mais: também vamos atrás delas, seja por aprendizado, necessidade de atualização, curiosidade e, até mesmo, para identificar sintomas e antecipar possíveis diagnósticos. Como lidar com essa roda-viva? Será que nosso cérebro absorve tudo isso, pode nos prejudicar ou estamos desenvolvendo novas habilidades adaptativas?

 

"O crescente volume de informações disponíveis nos meios de comunicação e a velocidade com que surgem e se difundem, independentemente da qualidade e conteúdo, representam um grande desafio adaptativo para os cérebros de hoje", argumenta o neurocirurgião Carlos Eduardo da Silva. "Estudos atuais indicam que este século e suas transformações digitais estão provocando uma modificação do funcionamento cerebral humano. Apesar de ser limitada a capacidade de armazenamento, novas habilidades de processamento das informações estão sendo desenvolvidas pelos 'novos' seres humanos", complementa.

 

Pesquisas apontam que a geração nascida após o ano 2000, a qual, desde os primeiros anos de vida, contatou com as novas tecnologias digitais interativas e de múltiplas telas sensíveis ao toque, internet de banda larga e outras facilidades, desenvolve o cérebro de maneira distinta daqueles que nasceram antes deste período. "Esta geração, chamada de 'nativos digitais', apresenta conexões cerebrais diferentes daqueles que nasceram anteriormente e que tiveram que aprender a lidar com tais tecnologias, sendo assim chamados 'imigrantes digitais'. Os nativos digitais apresentam uma capacidade superior na realização de múltiplas tarefas ao mesmo tempo, assim como seus cérebros apresentam uma maior velocidade para identificação de determinado assunto que seja relevante em uma pesquisa na internet, quando comparados aos imigrantes digitais. Por outro lado, tendem a ser mais superficiais e voláteis com as informações adquiridas", diz o médico.

 

O importante é como cada um lida com as informações

 

Acessível à maioria da população, a internet nos celulares, tabletes e computadores faz com que respostas às dúvidas relacionadas à saúde sejam acessadas de forma muito rápida. Mas, cabe a pergunta: você se sente seguro com as respostas que encontra na internet? Como sabe se as informações são corretas? Será que sempre é bom recorrer às fontes da rede e chegar "preparado" na consulta médica? Segundo a psicóloga Bárbara Rech, "quando somos acometidos por uma condição médica, independentemente de sua gravidade, reações emocionais são despertadas. A reação dependerá do funcionamento emocional de cada pessoa". Assim, a questão não é apenas a informação em si, mas como cada pessoa lida com ela.

 

Por isso, Bárbara enfatiza que, quando bem escolhidas as fontes (sites), o internauta/paciente poderá se beneficiar. "Todavia, nada substitui os anos de estudos do médico, que se preparou para transformar informações em conhecimento e para interpretar dados. Os sintomas precisam ser analisados por alguém que saiba fazer o raciocínio clínico, que leve em consideração o estilo de vida do paciente, sua genética, seu histórico prévio de saúde. Diagnosticar é algo complexo. Escolher o tratamento mais adequado, muitas vezes, é desafiador".

 

Paciente cibercondríaco

 

O cardiologista Wagner Michael Pereira destaca o que chama "cibercondria", termo usado para designar a atitude de correr para a internet atrás de informações sobre qualquer sintoma ou condição, por mais leve que seja. "Seja pela facilidade de acesso, insegurança ou dificuldades de se obter auxílio médico", analisa. Ele atenta, também, para o comportamento do "novo paciente", isto é, aquele que já chega à consulta com alguma informação, considerando que pode ser algo positivo, pois força os médicos a manterem-se atualizados, até mesmo para argumentarem com esse novo paciente.

 

No entanto, alerta que nem toda a informação é útil e verdadeira: "No Facebook, por exemplo, circulam remédios que prometem curar todo o tipo de câncer, o que é um sério desserviço, pois não existe remédio milagroso".

 

Do ponto de vista médico, garante o cardiologista que é preciso ouvir o paciente, mostrar conhecimento e confiança para esclarecê-to, explicando que todo procedimento médico segue protocolos definidos a partir de estudos e pesquisas.

Na gravidez, é fundamental seguir uma dieta balanceada e nutritiva para que o bebê tenha um desenvolvimento adequado. Além disso, essa prática contribui para o organismo da mãe, que viverá uma série de transformações no decorrer dos nove meses e após o nascimento, com uma rotina intensiva de cuidados ao pequeno ou à pequena.

 

Simone Gladys Getz, nutricionista formada pela Universidade de São Paulo, com especialização em saúde da mulher no climatério, nutrição clínica e ortomolecular, e fitoterapia, com experiência no atendimento a gestantes, relata à Revista SOGESP dicas importantes na hora de escolher o melhor cardápio para a gestação.

 

Em mulheres de peso normal, recomendam-se uma dieta entre 2000-2200 Kcal. Nas obesas e com sobrepeso, como calcular?

Do ponto de vista teórico, recomenda-se 25 calorias por quilo de peso nos quadros de obesidade, e 30 calorias nas situações de sobrepeso. No entanto, 6 que realmente funciona na prática é a melhora do padrão alimentar da gestante. Na anamnese nutricional se busca conhecer em detalhes a rotina alimentar da mulher, suas preferências, intolerâncias, como organiza as refeições em casa e no trabalho. A partir daí, podemos propor condutas que venham a reduzir o consumo calórico total e que possam ser integradas ao seu dia a dia. O objetivo maior é atuar sobre os comportamentos alimentares em busca de escolhas mais saudáveis. Vale ressaltar que na gestação as mulheres estão bastante abertas a mudanças e melhorias. O acompanhamento nutricional trimestral, ou às vezes até mensal em quadros de obesidade, é muito importante e efetivo no controle de ganho de peso.

 

Chás laxativos podem ser usados?

Chás laxativos, como sene e cáscara sagrada, contêm substâncias chamadas antraquinonas, que estimulam a peristalse intestinal. Não devem ser usados pelas gestantes, pois aumentam as contrações uterinas, podendo levar ao aborto. A conduta mais acertada é aumentar a ingestão de água e alimentos laxativos - saladas cruas, legumes, frutas mais ricas em fibras, carboidratos integrais e farelos. Muitas vezes, o uso de uma colher de sopa de azeite, creme de oleaginosas e óleo de gergelim auxilia o quadro. Recomendo o uso de probióticos para recuperar a flora e favorecer o funcionamento intestinal, o que beneficiará a absorção de nutrientes fundamentais nesse período, ern que há demandas maiores de vitaminas e minerais.

 

Nas dietas vegetarianas, veganas, ovolactovegetarianas, entre outras, quais nutrientes e oligoelementos faltam?

O vegetariano, de forma geral, exclui todas as carnes da sua alimentação. Há os ovolactovegetarianos, que consomem ovos e leite, e os veganos, que retiram esses itens. Quanto aos ovolactovegetarianos, está garantido o aporte de vitamina B12 e cálcio por meio dos ovos e laticínios, mas é preciso atenção ao aporte de ferro. Quanto aos veganos, deve-se cuidar da ingesta dos três nutrientes, sobretudo a vitamina B12, cuja principal fonte está nas proteínas animais.

O vegetariano precisa manter uma alimentação equilibrada, rica em feijões, proteínas vegetais, carboidratos integrais, verduras e legumes, garantindo o consumo dos nutrientes citados. Os exames séricos periódicos, aliados a uma boa anamnese alimentar, auxiliam a prescrição de uma suplementação vitamínico-mineral individualizada e completa.

 

Sushi e sashimi, peixes crus em geral, e até mesmo quibe cru, entram na restrição?

Quando a gestante apresenta sorologia negativa para toxoplasmose, recomenda-se evitar o consumo de quibe cru, carne mal passada e saladas cruas fora de casa, pois não há certeza se foram adequadamente higienizadas.

Com relação aos sushis e sashimis, vale lembrar que são produtos muito perecíveis, e quando deteriorados podem levar a problemas gastrointestinais, desidratação e uso de medicamentos.

 

No caso dos alimentos processados, que normalmente têm sódio em excesso, quais são proibidos? E os embutidos?

Na alimentação, o equilíbrio e a moderação são palavras-chave. ão há proibição, há o bom senso. Quanto maior o consumo de alimentos frescos e menos processados, melhor. O estado nutricional da mulher e sua alimentação são fundamentais ao adequado desenvolvimento e crescimento do bebê. Para ter uma gestação e parto tranquilos, é realmente essencial fazer escolhas alimentares mais saudáveis.

Algumas condutas para reduzir produtos ricos em sódio: como temperos, preferir ingredientes naturais-limão, azeite, ervas, especiarias,cebola e alho, evitando temperos industrializados e o sal em excesso. Organizar-se para ter comida caseira, evitando os pratos prontos congelados, frequentes no jantar. Substituir os vegetais, como milho, ervilha e seletas em lata por versões congeladas. Quanto aos embutidos para sanduíches, além de sódio, contêm nitratos e outros aditivos químicos. Os recheios de frango ou atum, com baixo sódio, são opções melhores.

Se a gestante for hipertensa ou desenvolver o Distúrbio Hipertensivo Específico da Gravidez, o controle de sódio precisa ser mais rígido.

 

Quais os adoçantes permitidos na gestação?

No primeiro trimestre não é recomendável o uso de adoçante, exceto no diabetes.No segundo e terceiro trimestres,é permitido o uso da stevia ou a sucralose, com moderação. O ideal é tentar reduzir o dulçor dos alimentos de forma geral.

 

E as bebidas, como os refrigerantes, o que é melhor evitar?

Os refrigerantes são chamados de "calorias vazias". São bebidas com alta densidade calórica e isentas de nutrientes. O consumo regular e excessivo é contraindicado.As bebidas do tipo cola possuem fosfato e cafeína, ambos podem prejudicar a absorção do cálcio.A cafeína, presente em outras bebidas, exige atenção no primeiro trimestre - pesquisas indicam associação com maior chance de perda fetal. Vale lembrar que os refrigerantes em geral contêm uma boa lista de aditivos químicos como ingredientes, o que certamente não é saudável a ninguém.

Atualmente, observamos o alto consumo de sucos ao longo do dia, na hora da sede. São bebidas muito ricas em carboidratos, portanto, não devem ser consumidas com essa regularidade. Aqui vale a regra da moderação, do consumo eventual. Sem dúvida, o melhor líquido para hidratação é a água.

 

O que diz sobre cerveja sem álcool? À vontade?

Uma porção é adequada. De preferência, que seja eventual e acompanhada de outros alimentos.

 

Vale a pena seguir uma dieta com a exclusão de glúten e lactose na gestação? Existe algum malefício?

Por decisão própria, não. Deve-se iniciar uma dieta de exclusão somente se for diagnosticada pelo médico uma doença celíaca - glúten - ou alguma sensibilidade importante ao glúten e à lactose. Para mulheres que apresentam..muita flatulência e sensação de empachamento após a refeição, a exclusão ou a redução da lactose - até mesmo do glúten - pode melhorar os sintomas, mas antes disso há de se avaliar outros desequilíbrios frequentes: excesso de carboidrato refinado, disbiose intestinal, mastigação inadequada e grande volume de alimentos nas refeições. Na gestação, visamos sempre ao equilíbrio e à presença de todos os grupos alimentares.

 

No que se refere às fontes de cálcio, como balancear, entre as ingestões de leite, de derivados e a má digestão? Isso afeta a absorção?

Quanto ao cálcio não basta pensar somente em quantidade ingerida, é preciso considerar a sua biodisponibilidade. O uso frequente de antiácidos para tratar a "má digestão" ou a dispepsia pode afetar a absorção do cálcio em nível intestinal, pois esse processo requer pH mais ácido. Lembro ainda a importância de níveis adequados de vitamina D para garantir o transporte intestinal do cálcio e do magnésio, que atuam na fixação do mineral nos ossos e dentes. Há outras fontes de cálcio, além de leite e derivados: tofu, brócolis, couve, sardinha e semente de gergelim.

Quanto às queixas de má digestão, e ai incluo o refluxo, muitas alterações orgânicas e fisiológicas são inerentes à gestação. Na prática, observo que isso está muito relacionado à rotina de horários das refeições, com o volume e a alta presença de líquidos, inclusive bebidas gaseificadas, entre outros comportamentos inadequados. Ao corrigir esses pontos, há uma grande melhora nos sintomas.

 

 

Fonte: Revista Sogesp

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