(51) 3333-4670

O Conselho Federal de Medicina reconheceu, por meio da Resolução 2.172/2017, a cirurgia metabólica como opção terapêutica para pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) que tenham índice de massa corpórea (lMC)entre 30 kg/m2 e 34,9 kg/m2 , desde que a enfermidade não tenha sido controlada com tratamento clínico.

 

Pelos critérios estabelecidos, além de ter IMC entre 30 kg/m2 e 34,9 kg/m2 , pacientes poderão ser elegíveis para se submeter a esse procedimento se apresentarem: idade mínima de 30 anos e máxima de 70 anos; diagnóstico definido de diabetes tipo 2 a menos de 10 anos; apresentar refração comprovada ao tratamento clínico; e não possuir contraindicações para o procedimento cirúrgico proposto.

 

Com a edição da Resolução 2.172/2017, a autarquia objetiva contribuir para que seja expandida a possibilidade de redução das taxas de morbimortalidade no Brasil por meio do controle da doença. O CFM ressalta que o tratamento cirúrgico não exclui a possibilidade de associação de agentes farmacológicos para evitar recidiva ou complicação da doença.

 

A incidência de DM2 é uma das principais causas de acidente cardiovascular (AVe). síndrome coronariana, insuficiência renal e cegueira, tendo atingido neste século status de epidemia. No Brasil. o número de pessoas diabéticas em 2015, com idade entre 20 e 79 anos, atingiu a marca de 14,3 milhões, havendo a expectativa de que em 2040 chegue a 23,3 milhões de pessoas.

 

Fonte: Revista CREMERS

Em colaboração com o Grupo Nacional de Direitos Humanos (GNDH), órgão do Conselho Nacional de Procuradores Gerais dos Ministérios Públicos dos Estados e da União (CNPG), o Conselho Federal de Medicina emitiu a Circular 107/2017, orientando os Conselhos Regionais no sentido de buscar garantir a observância do Art. 258-8 da Lei Federal 8.069/1990, com o objetivo de assegurar a tutela da vida, da saúde e da dignidade das crianças e das mães.

 

A Circular observa que a referida Lei assegura a toda mulher gestante e mães o direito de disponibilizar o filho para adoção. assim como de "ter assistência psicológica após tal manifestação". Entretanto. a falta de conhecimento dessa previsão legal leva muitas mulheres. que não têm a intenção de permanecer com essas crianças. a colocarem suas vidas e de seus bebês em risco.

 

Dessa maneira. é imperativo que os profissionais da saúde envolvidos prestem esclarecimentos sobre o procedimento legal a ser adotado; informem sobre o direito à assistência psicológica; e enviem relato à Justiça da Infância e Juventude.

 

Conforme o artigo 258-8 da Lei Federal 8.069/1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. o médico. enfermeiro ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde da gestante. que deixar de efetuar o imediato encaminhamento à autoridade judiciária de notícia de caso de que tenha conhecimento de mãe ou gestante interessada em entregar seu filho para adoção. incorre em infração administrativa.

 

A comunicação à autoridade competente evita a entrega ilegal de crianças a casais ou pessoas não habilitadas à adoção. bem como prestigia a ordem cronológica do Cadastro Nacional de Adoção.

 

A íntegra da Circular está em www.cremers.org.br

 

Fonte: Revista CREMERS

Instituído em março deste ano pela Lei No 13.430, o primeiro Dia nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita foi celebrado em 21 de outubro. A proposta surgiu com o grupo do Setor de DST da Universidade Federal Fluminense e da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST), com sede na Associação Médica Fluminense, em Niterói (RJ), em função do alarmante aumento da doença por toda a população brasileira, e logo foi encampada pela SOGESP.

 

Sífilis é uma doença infecciosa transmitida pela bactéria Treponema pallidum por meio do sexo desprotegido ou transfusão sanguínea. Os maiores sintomas ocorrem nas duas primeiras fases, período em que é mais contagiosa. Ela se inicia com feridas nos genitais (externo e interno) e outras áreas do corpo, ,como boca e ânus, que podem desaparecer espontaneamente, por isso dá a falsa impressão de cura. A lesão inicial geralmente é única, indolor, limpa de bordas duras (cancro duro) e acompanhada de íngua na virilha. Algumas semanas depois surgem manchas na pele (abdome, tronco, palmas das mãos e plantas dos pés). Se não tratada, a infecção pode causar lesões no cérebro, no coração e nos ossos futuramente.

 

"Conhecida como 'o camaleão da medicina', a sífilis é uma doença que engana muito a gente. Se você abrir a página de um livro de clínica médica verá que ela entra em diversos diagnósticos: queda de cabelo, queda de sobrancelha, unha deformada, problema mental de neurossífilis, manchas no corpo, hepatite, pancreatite, aneurisma de aorta e doença cardiovascular, entre muitos outros. O resultado positivo para sífilis não é necessariamente igual a ter a doença, porque se a pessoa já teve e tratou, pode haver uma cicatriz sorológica, o que possibilita que o exame dê positivo. Ao mesmo tempo, se a pessoa está no primeiro-estágio da doença, no início, o exame pode dar negativo", explica Mauro Romero, presidente da SBDST.

 

AUMENTO EM TODAS FAIXAS ETÁRIAS

 

Em 2015, o número de indivíduos notificados com sífilis adquirida foi de 65.878, além de 33.365 gestantes com a doença no mesmo período no País. Os casos de sífilis congênita, transmitidas de mãe para filho, chegaram a 19.228, dos quais 687 resultaram em abortos e 661 em natimortos, sem contar os 221 óbitos pós-nascimento, um total que ultrapassa inclusive o número de mortes provocadas pelo zika vírus.

 

Assessor do Programa Estadual e Municipal de DST / Aids de São Paulo, o obstetra e ginecologista Valdir Monteiro Pinto chama a atenção para os dados do Ministério da Saúde, que indicam que a sífilis adquirida vem crescendo em todas as faixas etárias no Brasil. De 2010 a 2015, os casos notificados subiram de 1.249 para 65.878, ou seja, 52 vezes. Os maiores aumentos ocorreram entre os jovens de 13 a 19 anos (61 vezes), seguido de pessoas entre 20 e 29 anos (59 vezes) e acima de 50 anos (55 vezes).

 

''As mulheres se encontram em situação de maior vulnerabilidade para aquisição das ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) em geral e da sífilis em particular, principalmente pela dificuldade de negociação para o uso de preservativo em razão da desigualdade de gênero. Por outro lado, os homens, apesar de mais vulneráveis às doenças crônicas e de morrerem mais precocemente, não buscam os serviços de saúde de atenção básica, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno das ISTs, incluindo a sífilis", reflete o ginecologista.

 

Com o objetivo de oferecer informações técnicas atualizadas sobre a transmissão vertical do HIV, sífilis e hepatites virais, o Programa Municipal de DST / AIDS de São Paulo desenvolveu o aplicativo TV-SP.O app é direcionado especialmente para os profissionais da atenção primária e maternidades, de forma a subsidiá-losna tomada de decisão do pré-natal ao puerpério, contribuindo para melhoria da qualidade do serviço de saúde ofertado à população.

 

''Mulheres que engravidam com a infecção,sem diagnóstico nem tratamento devido, transmitem a bactéria através da placenta para o feto, causando abortamento ou infecção no recém-nascido, que deverá apresentar várias sequelas graves, tais como deformações dentárias,nos ossos, surdez, perda da visão, deficiência mental e até morte", adverte Paulo Cesar Giraldo, presidente da SOGESP. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que 25% das grávidas que têm sífilis sofrem aborto espontâneo ou dão à luz bebês natimortos.

 

"A meta era a eliminação da doença até os anos 2000, mas, infelizmente, foi o contrário. Houve um aumento crescente dos casos notificados de sífilis adquirida e de sífilis congênita, doenças que podem ser claramente curadas com o tratamento adequado. A realização da terapêutica indicada, quando do diagnóstico em gestantes, impede que haja a transmissão do agente para a criança. A gestante deve fazer o pré-natal para que haja o diagnóstico e o tratamento correto, durante a gravidez, impedindo a transmissão do Treponema para o seu bebê", aponta Claudio Barsanti, presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

 

PREVENÇÃO COM PRESERVATIVO

 

A transmissão vertical da sífilis ainda se mantém em taxas elevadas, apesar de possuir protocolo clínico bem conhecido, com triagem sorológica disponível e de baixo custo. A prevenção é feita com o uso de preservativo em todas as relações sexuais (vaginal,anal ou oral). Na gravidez é mandatório o exame de sangue para diagnóstico e tratamento precoce e a parceria sexual deve ser investigada.

 

"O aumento da oferta de acesso a exames e às informações prestadas pela equipe de saúde, em um ambiente de envolvimento e comprometimento, com maior adesão aos tratamentos prescritos e à prevenção,podem reduzir os indicadores de morbidade na população geral, de morbimortalidade materno-infantile redução dos índices de sífilis congênita", enfatiza o assessor dos programas de DST/ Aids de São Paulo.

 

"A melhor forma de se diminuir o número de casos é a informação à sociedade e, principalmente, às futuras mães sobre o tratamento e a realização adequada do pré- -natal", concorda o presidente da SPSP.

 

"A união das especialidades médicas afins no combate à sífilis, tanto adquirida quanto congênita, deve ser cada vez mais intensa, com um fluxo de informações eficiente para que os médicos tenham dimensão do tamanho do problema e passem isso para os seus pacientes", reforça o presidente da SOGESP.

 

Os postos de saúde oferecem testes rápidos para diagnosticar a doença, e o resultado deveria sair na hora, porém, segundo a SBDST, em alguns locais chega a demorar mais de 30 dias. "O exame de sífilis, VDRL, é feito a quase cem anos e conta com inúmeras publicações e campanhas para o combate da doença, mas, infelizmente, ainda temos um enorme problema pela frente. Precisamos aproveitar a oportunidade do Dia Nacional de Combate à Sífilis e construir a necessidade de unir diversos grupos para acabar com a doença", destaca Romero.

 

O tratamento da doença é feito gratuitamente por meio do serviço público, entretanto, a penicilina, medicamento utilizado para administrar o tratamento, segundo Romero, há anos conta com problemas de abastecimento.

 

Dados completos sobre a incidência da sífilis no Brasil computados pelo governo federal podem ser encontrados no link http://indicadoressifilis.aids.gov.br/ .

 

Fonte: Revista SOGESP 

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