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Especialista suíça simplifica o diagnóstico nesse campo, no qual história e testes laboratoriais precisam estar em plena sintonia

 

“Nunca devemos fazer testes proféticos em alergia”, dispara a alergologista Barbara Ballmer-Weber, médica-chefe da Clínica de Alergia no Kantonsspital Luzern, na Suíça, e professora- -associada de Alergia e Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Zurique. Com a autoridade de quem já publicou mais de 150 artigos, a maioria sobre alergia alimentar, Ballmer defende que a detecção isolada da IgE específica de um alimento não fecha diagnóstico sem história concomitante de reação alérgica a esse item.

 

Nesta entrevista, que concedeu de Zurique à nossa reportagem, a alergologista compartilha o modo como faz o manejo de pacientes alérgicos a alimentos em sua prática clínica, destacando a necessidade de trabalhar em conjunto com outros especialistas para melhor acompanhar a evolução de cada caso. “Sugiro que cada colega construa uma rede própria”, diz. 

 

Na sua opinião, que alimentos causam o maior número de reações?

 

Nas crianças pequenas, é comum a alergia a ovo e leite. Algumas vezes, trigo, soja, amendoim e nozes também podem causar reação e, de acordo com os hábitos nutricionais da região, peixe e mariscos estão implicados. Conforme o crescimento do paciente, vemos mais e mais alergias alimentares por reação cruzada. Na Europa e em parte dos EUA, México e Japão, observamos processos alérgicos decorrentes de reações cruzadas entre os principais alérgenos de árvores (bétula e carvalho) e proteínas homólogas de frutas, nozes, vegetais e leguminosas. Esses casos são mais prevalentes do que as alergias a alimentos de origem animal.

 

Os alérgicos a certos alimentos têm risco de reação com a ingestão de itens similares por reação cruzada. Como podemos aconselhá-los adequadamente?

 

A história clínica é muito importante em tais casos. Quando os pacientes me consultam com uma alergia a frutos secos, por exemplo, à castanha de caju, pergunto-lhes sobre sua experiência com outros frutos secos. Em geral, ouço relatos de que comem avelãs, amêndoas, pinhões, macadâmia e outros. Nessas situações, apenas os aconselho a não ingerir castanha de caju. Para os que não sabem ou não toleraram tais alimentos, peço que os eliminem da dieta. Ainda forneço medicamentos de emergência e a caneta de adrenalina para as reações graves. O próximo passo é solicitar os testes cutâneos e a determinação da IgE específica para as diferentes nozes e os componentes relevantes. Por último, faço as provocações.

 

Como manejar pacientes que tiveram anafilaxia após a ingestão de carne vermelha?

 

Indivíduos com reação tardia à carne vermelha devem ser testados para a IgE da alfagal, um oligossacarídeo encontrado em células de mamíferos não primatas. Esse epítopo está presente nas carnes bovina, de porco e de cordeiro, mas não na de frango. Apesar de tais reações poderem se dever a picadas de carrapatos – o primeiro tipo implicado foi o Amblyomma americanum –, os pacientes muitas vezes não se lembram dessa história, não havendo necessidade de procurar alergia a veneno de insetos, a menos que haja relato de reação após picadas.

 

Na avaliação de alérgicos ao látex para a possibilidade de reatividade cruzada com frutos e vegetais, que testes devemos indicar?

 

Em pacientes com alergia ao látex, tomamos cuidado em relação à história de reações a alimentos como banana, abacate, kiwi, castanhas, pimentão verde e outras frutas e nozes. Mas não precisamos fazer testes específicos na ausência de história positiva para tais itens.

 

Em resumo, qual deve ser o algoritmo correto para investigar uma alergia alimentar?

 

Nunca devemos fazer testes proféticos em alergia! Primeiro, precisamos ter uma certa suspeita. Depois, olhamos para a IgE específica ou componentes do alimento suspeito. Como as dosagens de IgE não são "testes de alergia", mas apenas provas de uma sensibilização, que também pode ser clinicamente silenciosa e sem relevância clínica, a pura detecção da IgE, sem uma história confiável e concomitante de reação alérgica ao respectivo alimento ou mesmo sem testes de provocação positivos, não configura diagnóstico de alergia alimentar.

 

E qual a sua opinião sobre a IgG4, que ainda é muito solicitada?

 

A IgG4 específica para alimentos não indica (iminente) alergia ou intolerância alimentar, mas, sim, uma resposta fisiológica do sistema imunológico após a exposição aos componentes dos alimentos. Portanto, é considerada irrelevante, dentre os exames laboratoriais de alergia ou intolerância alimentar, e não deve ser realizada para elucidar tais queixas.

 

Quando pedir testes de diagnóstico resolvido por componentes para alérgenos alimentares?

 

Se um doente sofre apenas sintomas leves, restritos à cavidade oral, pode-se muitas vezes dispensar uma análise estendida in vitro. O diagnóstico resolvido por componentes (CRD) nos dá uma avaliação de risco e tem utilidade na suspeita de alergia a amendoim e frutos secos. Se detectamos concentrações elevadas de IgE para proteínas de armazenamento, a probabilidade de um paciente ser, de fato, alérgico a amendoim ou frutos secos aumenta. Assim, não fazemos testes de provocação para confirmar tal configuração, especialmente se a história sugere que o indivíduo teve uma reação grave ou anafilaxia, ou, se eles forem realmente necessários, procedemos à provocação com muito, muito cuidado. O CRD também eleva a sensibilidade dos testes in vitro se, por exemplo, um alérgeno relevante é sub-representado em um extrato de alimentos. Além disso, temos doenças específicas que merecem manejo diferente, como a anafilaxia induzida pelo trigo e dependente do exercício, na qual é útil olhar para a sensibilização para Tri a 19. Nos casos de alergia a frutas e sensibilização para a proteína de transferência de lipídios, aconselhamos ainda a supressão de produtos processados.

 

Em que situações há necessidade de provocação oral?

 

Se a determinação da IgE específica e/ou os testes cutâneos para um alimento específico não apresentam sensibilidade de 100% e temos uma história clara de reação alérgica relevante, com sintomas sistêmicos, devemos fazer provocações para definitivamente excluir a alergia alimentar. O procedimento serve para avaliar o desenvolvimento de tolerância, para analisar a relevância clínica da sensibilização alimentar sobre o curso de uma dermatite atópica em indivíduos que respondem a uma dieta de eliminação, para detectar sensibilização a um alimento que nunca tenha sido ingerido ou que tenha sido consumido em pequenas quantidades e para fechar um diagnóstico em pacientes polissensibilizados para diferentes alimentos.

 

A alergia alimentar envolve muitos especialistas, como alergologista, gastroenterologista, pediatra e nutricionista, mas, na prática, não vemos tal integração. O que podemos fazer a favor disso?

 

Costumo trabalhar em conjunto com todos esses especialistas. Cada alergologista que lida com alergia alimentar depende de um nutricionista de confiança, que deve estar bem informado sobre o assunto. Mantenho uma colaboração de confiança com muitos gastroenterologistas. Então, sugiro aos colegas que construam uma rede própria. Os simpósios interdisciplinares sobre o tema e as rodadas de discussão com especialistas mostram-se muito úteis nesse sentido.

 

Fonte: Revista Médica Fleury

A ocorrência de perda auditiva na infância é preocupante, visto que influencia no aprendizado da linguagem, comprometendo as habilidades de comunicação verbal e não verbal, bem como aumentando os problemas de comportamento interpessoal e social. A condição tem prevalência de um a três casos para cada 1.000 nascimentos, chegando a oito para cada 1.000 nascimentos quando existem fatores de risco associados. Os casos derivam tanto de causas genéticas quanto de causas adquiridas, sendo estas as mais frequentes no Brasil.

 

Na avaliação da deficiência de audição em crianças, a audiometria de tronco encefálico infantil é o teste mais utilizado para estimar o nível da audição e o grau de perda auditiva. 

 

O procedimento possibilita ainda a avaliação neurológica do nervo coclear (nervo auditivo) e das vias auditivas do sistema nervoso central. Além disso, serve para monitorar a maturação do sistema nervoso central durante o primeiro ano de vida.

 

Na prática, o exame consiste na captação e no estudo dos potenciais elétricos gerados no sistema auditivo após a estimulação da orelha com a apresentação de sons – cliques, por exemplo. As respostas são captadas por eletrodos posicionados sobre o couro cabeludo e nos lóbulos das orelhas. É possível também realizar a avaliação da audição por frequência-específica por meio das respostas ASSR, do inglês, auditory steady-state responses.

 

Vantagens do método

  • Não depende da resposta da criança
  • Pode ser feito em indivíduos de qualquer idade, desde o nascimento
  • Pode ser realizado em crianças com dificuldade de colaborar

 

Fonte: Revista Médica Fleury

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