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Os números são eloquentes e ajudam a explicar por que a saúde pública no Brasil vai mal. Nos últimos três anos, 3,5 mil leitos obstétricos foram fechados no país, a maioria deles em hospitais conveniados com o Sistema Único de Saúde. 

 

Pelo menos três maternidades vinculadas a hospitais filantrópicos e conveniados encerraram suas atividades no semestre passado. Diante do risco de acontecer o mesmo com a centenária Maternidade Hilda Brandão, da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte (MG), o CFM e a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) assinaram nota conjunta exigindo a tomada de providências urgentes por parte do Governo, especialmente em nível federal, para evitar o avanço desta crise sem precedentes, que afeta o segmento, com graves consequências para os pacientes que dependem do Sistema Único de Saùde (SUS). 

 

De acordo com as entidades, o quadro atual tem origem no estrangulamento financeiro das instituições, sem condições de arcar com as constantes despesas, tendo em contrapartida uma receita congelada pela defasagem da Tabela SUS. No texto, o CFM e a Febrasgo cobram, entre outras medidas, a ampliação e aperfeiçoamento dos instrumentos de custeio dos hospitais filantrópicos, hoje responsáveis por mais de 50% dos atendimentos realizados pelo SUS; e o descongelamento e reposição das perdas acumuladas dentro da Tabela SUS (em consultas e procedimentos). 

 

As entidades defendem ainda a aprovação pelo Congresso Nacional do Projeto de Lei de Iniciativa Popular Saúde+10, que pede a vinculação de 10% da receita bruta da União à saúde (PLP321/2013).

 

Fonte: Revista Cremers - setembro 2014

Uma reportagem publicada no jornal Zero Hora no dia 30 de julho expõe dados referentes aos leitos do SUS. O número total de leitos e baseado em dados do Ministério da Saúde e inclui os complementares - de UTI, de isolamento e cuidados intermediários. 

 

Porém, segundo a assessoria de imprensa do ministério, as dados anteriores a 2004 computam leitos que sequer existiam ou que eram contabilizados duas vezes, o que dificulta a conhecimento de estatísticas mais precisas ate 2005. 

 

Embora sem grande discrepância, os dados referentes ao período de 2005 a 2014, fornecidos ao jornal ZH pelo ministério, pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) e pelo Simers, também divergem. A SES destaca que a número de leitos do SUS cresceu nos últimos três anos, mas a secretária Sandra Fagundes admite que, entre 1993 e 2003, havia leitos só no papel no Estado. 

 

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremers), Fernando Weber Matos, afirma que há um déficit de 10 a 12 mil leitos no Rio Grande do Sul: 

 

- O fato e que estamos com hospitais superlotados e pacientes nos corredores das emergências esperando tratamento. 

 

Conforme a Conselho Federal de Medicina (CFM), entre janeiro de 2010 e julho de 2013, quase 13 mil leitos do SUS foram desativados no país. Nove Estados tiveram balanço positivo, entre os quais o RS, que, segundo o estudo, teve incremento de 351 vagas.

 

Fonte: Revista Cremers - setembro 2014

Os serviços públicos e privados de saúde no Brasil são péssimos, ruins ou regulares para 93% dos eleitores brasileiros. A sensação também e de insatisfação em relação ao Sistema Único de Saúde (SUS), segundo 87% da população.

 

Essa avaliação considerada negativa pelos pesquisadores integra pesquisa inédita realizada pelo Instituto Datafolha a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Paulista de Medicina (APM). O resultado do trabalho foi divulgada no dia 19 de agosto, em Brasília. 

 

De acordo com a pesquisa, que confirma a que as médicos denunciam já faz tempo, a saúde no Brasil e apontada como a área de maior importância para 87% brasileiros e é também indicada por 57% como tema que deveria ser tratado como prioridade pelo Governo Federal. A abrangência do estudo foi nacional, incluindo regiões metropolitanas e cidades do interior de diferentes partes, moradores nas cinco regiões do país. Foram ouvidas 2.418 pessoas - 60% delas residentes no interior - entre as dias 3 a 10 de junho, homens e mulheres com idade superior a 16 anos.

 

SUS de difícil acesso e de má qualidade 

 

A pesquisa realizada pelo Datafolha apontou ainda que todos as aspectos do atendimento do sus tem imagem insatisfatória entre a população brasileira. Os pontos mais críticos estão relacionados ao acesso e ao tempo de espera para atendimento. Mais da metade dos entrevistados que buscaram acesso no SUS relatou ser difícil ou muito difícil conseguir a serviço pretendido, especialmente cirurgias, atendimento domiciliar e procedimentos específicos, como hemodialise e quimioterapia.

 

Um ano na fila de espera

 

O tempo aguardado para ser atendido ou agendar uma consulta, exame, internação, cirurgia ou outro procedimento também e um gargalo para a SUS. Entre as 2.418 entrevistados da pesquisa do Datafolha, pelo menos 30% declararam estar aguardando ou ter alguém na família aguardando a marcação ou realização de algum procedimento pelo SUS. Até mesmo pessoas que possuem planas de saúde, 22% deles disseram que aguardam algum tipo de atendimento pela rede pública.

 

Só dois entre cada dez entrevistados conseguiram ser atendidos em até um mês no seu pedido de consulta, exame, internação, cirurgia ou procedimento específico (quimioterapia ou hemodiálise, por exemplo). Para quase metade da população esse tempo e ainda maior, podendo chegar a seis meses. O mais grave é que uma parcela significativa da população (29%) aguarda há mais de seis meses para ter seu pedido atendido, sendo que mais da metade desse grupo relata estar na fila de espera há mais de um ano.

 

Falta de infraestrutura no SUS 

 

De acordo com dados apurados pelo CFM junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos em Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, quase 13 mil leitos foram desativados na rede pública de saúde entre janeiro de 2010 e julho de 2013. O número passou de 361 mil para 348 mil leitos. As especialidades mais atingidas com a corte foram a psiquiatria (-7.499 leitos), pediatria (-5.992), obstetrícia (-3.431) e cirurgia geral (-340).

 

Fonte: Revista Cremers - setembro 2014

 

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