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Há anos, a comunidade científica vem manifestando inquietude com o impacto social da diminuição da fertilidade masculina em todo o mundo. Tratava-se de assunto controverso, pois os estudos costumavam usar metodologias científicas com configuração acentuadamente empírica. A padronização do espermograma pela Organização Mundial da Saúde, o ajuste de cronogramas com adequação na coleta e os protocolos estatísticos cientificamente adequados ratificam o efetivo comprometimento do ejaculado masculino.

 

A revisão de todos os artigos publicados entre 1980 e 2015, em lugares tão distintos como Estados Unidos, Ásia e África, mostrou uma diminuição de 57% na concentração espermática. Outro estudo incluindo homens dos Estados Unidos, Europa, Austrália e Nova Zelândia, entre 1973 e 2011, também demonstrou declínio': oscilando entre 50 e 60% na concentração espermática. O comprometimento do ejaculado, particularmente no que tange à concentração de espermatozoides por mililitro do ejaculado, correlaciona-se estreitamente com a faixa etária, saúde geral do homem e estilo de vida. O envelhecimento masculino, particularmente a partir dos 50 anos, exibe diminuição da espermatogênese, independente de moléstias. Além desse fator isolado, várias entidades nosológicas são mais prevalentes a partir dessa faixa etária requerendo tratamentos relativamente nocivos ao potencial reprodutivo masculino, tais como: medicamentos para tratamento de alterações prostáticas (hiperplasia benigna e ou neoplasia maligna), diminuição de libido (reposição de testosterona), hipertensão arterial, diabetes etc.

 

Diversos fatores, denominados de risco, alteram de maneira retumbante o estilo de vida comprometendo a saúde reprodutiva masculina. Destacam-se, entre outros, a obesidade (índice de massa corporal acima de 30 kg), sedentarismo (carência de exercícios aeróbicos), tabagismo (mais de dez Cigarros ao dia), uso de drogas recreativas (maconha, cocaína, etc. ), sono inadequado (ronco com apneia, interrupções no sono alterando o REM ou menos de seis horas de sono ao dia), adrenergismo exacerbado (estresse, depressão, baixa autoestima e desemprego).

 

A revisão sistemática, obedecendo todo o requinte científico, conclui inquestionavelmente que a diminuição do potencial reprodutivo masculino está grassando com ímpeto. Certamente o progresso tecnológico garantirá a paternidade de qualquer cidadão interessado em formar uma família, entretanto, às custas de angústia, preocupação e significativos gastos. Isso pode, em parte, pode ser modificado desde que atitudes saudáveis, comportamentais e nutritivas, sejam exercidas desde a mais terna idade. Além de resgatarmos a fertilidade masculina em franco declínio, oportunizaremos maior sobrevida de pais com otimização da prole.

 

Claudio Teloken - urologista

 

Fonte: Revista Fertilitat

"O insuportável não é só a dor; mas a falta de sentido da dor. Mais ainda, a dor da falta de sentido." Oswaldo Giacoia Junior

 

A espiritualidade poderia ser definida como uma propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível: um sentido de conexão com algo maior que si próprio. Por isso, a espiritualidade pode ou não estar ligada a uma vivência religiosa. Convém definir nesse cenário que a religiosidade e a espiritual idade, apesar de relacionadas, não são claramente descritas como sinônimos. A religiosidade envolve sistematização de culto e doutrina compartilhados por um grupo. E a espiritualidade está afeita ao significado e ao propósito da vida, com a crença em aspectos espiritualistas para justificar sua existência e significados.

 

Ao longo dos séculos, a medicina passou de um vínculo completo com preceitos religiosos para uma ciência independente. Mais recentemente, os avanços científicos e tecnológicos causaram uma mudança no atendimento médico, com a instituição de um modelo de atendimento focado em cura orientada por tecnologia. E essa evolução nos levou a um avanço fenomenal, proporcionando a habilidade de prolongar a vida. No entanto, com esse modelo, os profissionais e cientistas da área da saúde passaram a concentrar suas atenções no corpo físico e a negligenciar os aspectos psicológicos, espirituais, sociais e ecológicos das doenças. Nas últimas décadas, muitos serviços de saúde têm buscado criar um balanço, reconhecendo que apesar dos tempos modernos a espiritualidade está frequentemente ligada ao processo de saúde.

 

Nessa evolução, a Organização Mundial de Saúde (OMS) também revisou o conceito de saúde e definiu, em 22 de janeiro de 1998, que "saúde é um estado dinâmico de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade."

 

Alguns estudos observacionais sugerem que indivíduos que referem práticas espirituais regulares tendem a viver mais. Os autores lançam hipóteses de que o componente religioso pode ajudar no controle do stress por oferecer suporte social e fortalecer valores pessoais e compreensão do mundo. Pacientes espiritualizados podem utilizar suas crenças para lidar com doenças e dor. Estudos mostram que essas pessoas são mais otimistas e têm uma melhor qualidade de vida.

 

A Association of American Medical Colleges reconhece que a espiritual idade é um fator que contribui para a saúde de muitas pessoas. Também defende que uma educação adequada na área da espiritual idade é fundamental na formação dos acadêmicos de medicina, recomendando que os estudantes sejam advertidos sobre espiritualidade e crenças culturais e suas práticas. Há menos de vinte anos eram poucas as faculdades de medicina norte-americanas que apresentavam essa disciplina em seus currículos. Atualmente, mais de 100 das 125 escolas médicas incluíram o conteúdo de espiritualidade em suas grades. Já no Reino Unido 59% das faculdades de medicina tem a disciplina de espiritual idade e apenas 10% das brasileiras a ministram. Nota-se que cresce a importância dada a esse tema junto à classe médica. E que assim seja.

 

"A espiritualidade não começa onde a ciência termina, mas que ambas concorrem para uma busca do real, em que a ciência e religião se complementarão em um abraço grande e íntimo em uma nova visão do mundo." Raul Marino Junior

 

Adriana Arent - ginecologista

 

Fonte: Revista Fertilitat

Louise Brown, o primeiro caso de sucesso de uma fertilização in vitro humana, foi transferida para o útero de sua mãe como um embrião de oito células. Atualmente, devido ao aperfeiçoamento no cultivo de embriões, esse cenário mudou: a maioria dos embriões produzidos em laboratório é transferido ou congelado no estágio de blastocisto.

 

Diversos motivos e indicações influenciam a decisão sobre qual estágio embrionário se dará a. transferência ou congelamento de embriões. Fisiologicamente, o encontro do óvulo com o espermatozoide (e correta fusão de ambos, processo conhecido como fertilização), bem como as posteriores divisões celulares (clivagens), ocorrem nas tubas uterinas. O embrião, após percorrer toda a tuba, chegará à cavidade uterina em torno do quinto dia pós-fertilização. É quando deverá ter atingido, ou estar próximo de atingir, o estágio de blastocisto para que possa fazer a correta implantação no endométrio. Contudo, sabemos que transferências de embriões provenientes de reprodução assistida ainda em estágio de clivagem são bem sucedidas - como foi no caso de Louise Brown.

 

A dinâmica em laboratório dá-se da seguinte maneira: após a coleta de óvulos, preparo seminal e injeção intracitoplasmática do espermatozoide (ICSI), o acompanhamento laboratorial dos embriões ocorre pela avaliação de um embriologista capacitado quanto ao processo de fertilização e dinâmica das clivagens. De forma geral, no segundo dia após a fertilização, o embrião deve apresentar entre duas a quatro células - também chamadas de blastômeros. No terceiro dia, o embrião de boa qualidade contém em torno de oito células. Variações na velocidade das clivagens são comuns e normais, tanto entre embriões de uma mesma paciente como entre os blastômeros de um mesmo embrião. Após esse estágio, as divisões celulares vão acontecendo de forma cada vez mais veloz, e o embriologista poderá observar que muitos blastômeros do embrião não apresentam mais um limite definido entre suas membranas, formando um grande aglomerado celular. Assim, dizemos que o embrião está compactando, e a seguir inicia-se a formação da blastocele, formando então o blastocisto.

 

Dois grupos celulares devem ser observados e avaliados quanto à qualidade em um blastocisto: a massa celular interna, que dá origem ao feto; e o trofoblasto, que origina os anexos embrionários. Além disso, é possível observar uma cavidade contendo líquido, chamada de blastocele.

 

Todo conjunto celular de um embrião é envolto e protegido por uma membrana gelatinosa, a zona pelúcida. No estágio de blastocisto, o embrião já deverá estar na cavidade uterina e procurará um sítio de implantação. Assim, suas células continuam a aumentar em número, e a blastocele cresce ao acumular mais líquido. Conforme o embrião aumenta em tamanho, a zona pelúcida diminui em espessura até romper. Esse fenômeno é conhecido como hatching, essencial para a implantação do embrião, pois possibilita que as células embrionárias saiam do invólucro e possam invadir o tecido endometrial.

 

Transferências que ocorrem no quinto dia de evolução embrionária assemelham-se ao processo natural, pois procuram depositar os embriões dentro da cavidade uterina no estágio de blastocisto. Muitos especialistas afirmam que, dessa forma, podemos proporcionar maiores chances de gravidez. Isso porque realizar o acompanhamento dos embriões por mais tempo nos permite selecionar o mais adequado morfologicamente dentro de uma coorte, reduzir o número de embriões transferidos e, consequentemente, diminuir as chances de uma gravidez múltipla.

 

É verdade que está se tornando uma tendência mundial a transferência de embriões em estágio de blastocisto. No entanto, devemos lembrar que cada caso deve receber um olhar individualizado. Por exemplo: algumas pacientes podem produzir um número pequeno de embriões e, nesses casos, a transferência poderá ocorrer durante os estágios de clivagem para que o restante da evolução embrionária ocorra em ambiente uterino, o que pode trazer algum benefício para os embriões.

 

O conjunto de informações obtidas pelos embriologistas durante o período laboratorial dos embriões possibilita estimarmos sua viabilidade, qualidade e potencial de implantação no útero. E isso ajudará a definir a melhor conduta para cada paciente.

 

Shana Flach - embriologista

 

Fonte: Revista Fertilitat

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