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As revisões sistemáticas propõem-se a agrupar, de forma reprodutível, os resultados de estudos bem desenhados sobre um determinado assunto (com destaque para os ensaios clínicos aleatórios), com a finalidade de aumentar a precisão da informação científica e, assim, permitir ao médico a análise crítica para a tomada de decisões em sua prática profissional.

 

A rigor, encontram-se no topo da hierarquia da medicina baseada em evidências, principalmente quando acompanhadas da metanálise dos dados, e, para alguns autores, representam “o elo entre a boa ciência e a boa prática”.(1,2)

 

Não se pode garantir, contudo, que os achados de ensaios terapêuticos controlados e aleatórios, ainda que estatisticamente significativos, servirão à totalidade dos indivíduos(3) até mesmo porque a implacabilidade da análise estatística como procedemos é colocada em xeque por teses, no mínimo, dignas de atenção.(4)

 

Dessa forma, a contraproposta é a figura da evidência baseada em medicina, defendida como a base real da decisão personalizada.(5) Ou seja, estudos com desenhos menos atrativos terão seus lugares garantidos no âmbito da prática cotidiana, não para estabelecimento de protocolos, mas, sim, na assistência a um determinado indivíduo.

 

O antagonismo das duas teses não faz delas exatamente opostas e tampouco uma anula a outra. Na verdade, ambas são complementares e pilares da boa prática médica. Em síntese, contemplam o coletivo e o indivíduo, e, em essência, tratam da solução de problemas de saúde.

 

Em ambiente distinto daquele da prática responsável, em que encontram lugar a medicina baseada em evidências e as evidências baseadas em medicina, estão práticas recentes, como a medicina antienvelhecimento, atraente pela promessa de retardar, modular ou reverter o envelhecimento natural a partir da administração de hormônios glamourosamente ditos “bioidênticos”, por vezes associados a vários outros compostos, como fitoterápicos, vitaminas e minerais.

 

O uso de substâncias com finalidade antienvelhecimento não encontra respaldo na tese da prática baseada em evidências nem gera evidências para a contra-tese e, ainda, propõe-se a tratar o envelhecimento como um problema de saúde, fortalecendo a medicalização da vida e dando corpo à iatrogenia social observada em outras áreas.

 

Como bem diz o Conselho Federal de Medicina no preâmbulo da Resolução 1999/2012, não se podem comprovar benefícios nem riscos e há potenciais malefícios à saúde suficientes para que não se permita o uso de terapias hormonais contra o processo de envelhecimento.

 

No último mês de setembro, a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região sedimentou juridicamente, de forma unânime, o que rege aquela Resolução, pela qual os métodos para deter o envelhecimento, especificamente as práticas conhecidas como antiaging, estão sujeitas a penalidades éticas, que podem atingir a perda do registro profissional.

 

A Comissão Nacional de Ginecologia Endócrina da Febrasgo reconhece que a medicina é uma ciência mutável, em constante evolução, e que a base em evidências deve nortear a prática; reconhece, também, que a personalização da assistência contempla o conhecimento tácito, o expertise do profissional, e não deve ser ignorada se houver dados científicos que a respaldem; entretanto, não reconhece a prescrição de terapias antiaging ou outras quaisquer que não se embasem na literatura.

 

Dessa forma, concorda plenamente com a decisão do Judiciário e preza pela consciência ética que protege a boa prática da prática aventureira, assegurando às pessoas, ao menos na esfera normativa, o que lhes é mais precioso: a saúde.

 

REFERÊNCIAS

 

1. Atallah AN, Castro AA. Medicina baseada em evidências: o elo entre a boa ciência e a boa prática. Revista da Imagem. 1998;20(1):5-9.

 

2. El Dib RP. Como praticar a medicina baseada em evidências. J Vasc Bras 2007;6(1):1-4.

 

3. Ennezat PV, Cosgrove S, Bouvaist H, Maréchaux S, Guerbaai RA, Le Jemtel T, Andréjak M, Vital-Durand D. From evidence-based medicine to personalized medicine, with particular emphasis on drug-safety monitoring. Arch Cardiovasc Dis. 2017;110(6-7):413-19.

 

4. Ioannidis JPA. The ProposaltoLower P ValueThresholdsto .005. JAMA 2018;319(14):1429-30.

 

5. Horwitz RI, Hayes-Conroy A, Caricchio R, Singer BH. From Evidence Based Medicine to Medicine Based Evidence. Am J Med. 2017;130(11):1246-1250.

 

Fonte: Revista Femina/2018 Vol 46

“Meu filho tem dez anos e começou a se queixar de problemas na visão. Ele passa muitas horas jogando no computador. Será que isso tem relação? Como também trabalho muitas horas em frente ao computador, gostaria de saber se o brilho da tela tem influência ou não.”

Maria Luiza, Porto Alegre

 

A questão levantada pela leitora tem tido grande repercussão na mídia, pois não é um fato isolado. Milhares de pessoas de todas as idades, em todo o mundo, ficam em frente a telas de celular, tablets ou computadores por longas horas, todos os dias. Para sabermos mais sobre as consequências à saúde dos olhos em virtude deste hábito típico da vida contemporânea, a Revista Saúde buscou a opinião do professor e doutor João Borges Fortes Filho, oftalmologista, para a Coluna Quero Saber Especial:

 

O mundo moderno nos trouxe muita tecnologia, que nos proporcionou maior conforto, maior rapidez, facilitou muito a comunicação entre as pessoas. Mas, ao mesmo tempo, essa tecnologia toda, quando utilizada em excesso, afeta em muito os nossos olhos.

 

O problema real é a necessidade de proteger as crianças desse uso intensivo de tecnologia. Uma criança com 2 ou 3 anos de idade já é habituada a usar celulares e tablets, fica várias horas por dia brincando com os joguinhos. Ela vai passar o resto da vida lidando com essa tecnologia. Aos 40 anos de idade, estará com seus olhos acabados, desenvolverá cataratas precoces e, depois, terá degeneração macular aos 50 anos e viverá até quase 100 anos de idade enxergando muito pouco. Isso precisa ser alertado à nossa população. A única proteção é diminuir o número de horas de exposição diária às radiações. Não há outra forma.

 

Tudo começa pela emissão de raios UVA, UVB e UVC, além de ondas eletromagnéticas curtas, médias e longas. Depois, somos cercados de ondas de rádio, de radar, de micro-ondas e de tantas siglas que hoje em dia já nem sequer sabemos diferenciar. O olho humano é diretamente afetado por essas radiações que causam formação de cataratas precocemente na vida e, depois, causam degeneração macular.

 

Até duas décadas atrás, catarata era “doença de velho. Hoje em dia, e cada vez mais, estamos operando cataratas em pacientes com 50 ou mesmo com 40 anos de idade e que irão morrer lá pelos 90 ou 100 anos de idade. Vejam por quantas décadas depois de operados os pacientes irão ficar expostos às radiações ambientais. As pessoas viverão muitas décadas, e o olho humano não está se mostrando eficiente neste processo de envelhecimento. A catarata é a opacificação do cristalino, a lente natural do olho humano. As radiações afetam o cristalino fazendo com que o mesmo se torne opaco muito mais precocemente, necessitando ser removido por cirurgia.

 

Outro problema grave, sobre o qual circula muita informação na internet, é a chamada “epidemia mundial de miopia”. A população em todo o mundo está se tornando míope por usar quase que exclusivamente a capacidade de visão para objetos próximos (tela de celular a uns 30 cm do rosto). A expectativa da Organização Mundial de Saúde é que, em 2050, metade da população mundial será míope. A única possibilidade real de reverter este quadro é minimizarmos o número de horas diárias frente aos aparelhos, especialmente no que se refere às crianças, que ainda estão com o seu olho em processo de formação e de desenvolvimento.

 

Prof. Dr. João Borges Fortes Filho, oftalmologista

 

Fonte: Revista HED

Dormir bem repõe energias, garante bom desempenho nas tarefas cotidianas e traz benefícios à saúde. O sono é uma necessidade biológica, e uma função essencial para o cérebro. É o repouso necessário para o cérebro processar informações, armazenar memórias, estimular o raciocínio. Durante o sono, nosso metabolismo relaxa, se recupera, revitaliza e nos coloca em forma para enfrentar a vida com mais qualidade.

 

Todos nós queremos, e precisamos, dormir bem. Mas nem sempre é o que acontece. Hoje, 40% da população tem alguma queixa em relação ao sono, e, na verdade, a população adulta dorme menos – e mal.

 

Conforme o neurologista André Luiz Rodrigues Palmeira, já não é uma verdade absoluta que é preciso dormir 8 horas por dia. “É uma questão pessoal, e durante a vida nosso ciclo de sono e necessidade de dormir vão se alterando”. Por exemplo, crianças dormem mais do que idosos, e as horas de sono necessárias variam de pessoa para pessoa. “O importante é conhecer e respeitar seu ciclo, e ter um sono de qualidade, de forma a acordar bem disposto e ter um bom desempenho pessoal e profissional”, argumenta o neurologista.

 

O fato é que, na vida moderna, o estresse, as preocupações, o sedentarismo, o ritmo de vida competitivo e o excesso do uso de tecnologias podem afetar a qualidade do sono. Por outro lado, explica o médico que a falta de um sono reparador pode gerar problemas cardiovasculares, endócrinos, dores crônicas, dificuldades de concentração e irritabilidade, entre outros.

 

Distúrbios do sono

 

Porém, mesmo se, após corrigindo os maus hábitos, os problemas de sono persistirem, é hora de procurar um médico. “Insônia recorrente pode levar à ansiedade e depressão, e é um sintoma que merece ser investigado”, garante o neurologista André Palmeira. Outros distúrbios como apneia obstrutiva do sono, a síndrome das pernas inquietas (desconforto nos membros inferiores) ou interrupção do sono várias vezes durante a noite também podem indicar problemas de fundo neurológico. Da mesma forma, a sonolência excessiva também é um alerta para procurar um especialista.

 

Como conseguir uma boa noite de sono?

 

Adotar hábitos mais saudáveis, com pequenas mudanças de vida, pode trazer resultados compensadores. “Na verdade, a maior parte das queixas em relação ao sono vem de pessoas que não conseguem se desconectar”, afirma Palmeira. “Isto está ligado a hábitos cotidianos que são fáceis de mudar”, garante.

 

Veja as dicas:

 

  • Evite cochilos durante o dia, e procure manter o mesmo horário para ir dormir.
  • Evite ver televisão, navegar pela internet ou jogos eletrônicos na cama.
  • Deixe o quarto com temperatura agradável e sem excesso de luz.
  • Faça atividades físicas regularmente.
  • Evite bebidas alcóolicas, chás, cafés e refrigerantes antes de dormir. Prefira alimentos leves à noite.
  • Um copo de leite morno e chás tranquilizantes também auxiliam a chegada do sono.

 

Fonte: Revista HED

 

 

 

 

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