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O Brasil é um dos líderes mundiais no uso de telefones móveis. Aqui, o número de celulares excede o de habitantes. Há décadas, muitas pesquisas buscam avaliar os efeitos adversos da radiação eletromagnética dessa tecnologia sobre a saúde humana. Recentemente, um estudo apontou que há efeito prejudicial desta radiação não ionizante sobre a reprodução humana. Vale também para a rede sem fio conhecida como wireless.

 

Em testes, verificou-se que ratos " (machos e fêmeas) expostos a radiofrequência do celular de uma a dez horas diárias, em "modo standby", apresentam pior prognóstico reprodutivo. Uma pesquisa mostrou que a radiofrequência dos aparelhos celulares prejudica a qualidade dos espermatozoides. Há impacto sobre a motilidade e a morfologia espermática, condicionados pelo efeito térmico e não térmico sobre os testículos, que, por serem órgãos superficiais, absorvem mais energia radiante. Ocorre ainda produção de radicais livres no esperma, além de estresse oxidativo, o que favorece a fragmentação do DNA espermático. Isso, somado aos demais fatores, tem importância na etiologia da infertilidade masculina. Os efeitos negativos estão diretamente relacionados ao tempo e à maneira que se usa o aparelho. Quando carregados nos bolsos das calças, os celulares oferecem maiores riscos.

 

Em testes, verificou-se que ratos (machos e fêmeas) expostos a radiofrequencia celular de uma a dez horas diárias, em modo standby, apresentam pior prognóstico reprodutivo. Observou-se um decréscimo significativo na produção de embriões no primeiro estágio de clivagem para duas células e maior número na parada de desenvolvimento embrionário. O índice de "embriões de boa qualidade" também diminuiu significativamente. Naqueles que sofreram maior radiação em standby, ou em uma hora diária no "modo ativo", houve diminuição expressiva de nascimentos. A duração da gravidez também foi maior.

 

Um outro estudo, com ratos expostos a ondas eletromagnéticas de aparelhos celulares de terceira geração, por 60 minutos, não encontrou alterações significativas na fertilização in vitro. No entanto, parâmetros como taxa de fertilização, clivagem embrionária e formação de blastocistos tiveram piores desfechos, principalmente quando os espermatozoides receberam radiação, parecendo sofrerem mais o impacto do que os oócitos.

 

Para além do efeito térmico das ondas de radiofrequência, a diminuição do sistema antioxidante e o aumento dos radicais livres - que configuram o estresse oxidativo - provocam uma cadeia de eventos biológicos, incluindo danos à membrana das células sexuais. Isso também pode levar a uma significativa falha reprodutiva. Não podemos negar os benefícios que os telefones celulares nos trouxeram: a portabilidade, a mobilidade, os recursos inteligentes etc. O uso excessivo, no entanto, pode nos deixar em estado de frenesi, vício ou mania, a ponto de se tornar uma ameaça à saúde. Portanto, para crianças, jovens e adultos em fase reprodutiva, é fundamental usar essa tecnologia fantástica com inteligência e moderação.

 

João Michelon, ginecologista

 

Fonte: Revista Fertilitat

O AUMENTO NA DISSEMINAÇÃO DE NOTÍCIAS FALSAS, ESPECIALMENTE DIANTE DO CENÁRIO POLÍTICO VIVIDO NO BRASIL, EXIGE ATENÇÃO DOS USUÁRIOS

 

Em 2016, durante a campanha presidencial dos Estados Unidos, o mundo foi surpreendido com uma notícia de alto impacto: o Papa Francisco, posicionando-se "como um cidadão preocupado com o mundo'; teria declarado apoio à candidatura de Donald Trump. Foi uma bomba. Só no Facebook, a informação gerou 961 mil interações entre comentários, curtidas e compartilhamentos, segundo um levantamento do Buzzfeed News. Havia apenas um detalhe: a notícia era falsa - havia se originado no site satírico WTOE 5 News.

 

As notícias falsas, também chamadas "fake news" tornaram-se parte do dia a dia de grande parte da população, especialmente aquela que frequenta as redes sociais. Eo pior: há evidências de que essa rede de mentiras influencia decisivamente a opinião pública em temas fundamentais - do Brexit à imagem de líderes políticos. A eleição de Trump foi um exemplo. Recentemente, veio à tona a informação de que uma empresa britânica, chamada Cambridge Analytica, coletou e usou indevidamente os dados pessoais de milhões de usuários americanos do Facebook para beneficiar o candidato republicano (veja mais no box). Foi o suficiente para reacender o debate: afinal. é possível confiar nas notícias que circulam nas redes sociais?

 

FAKE NEWS NA POLÍTICA

 

Ano eleitoral, intensa polarização política, discussões exaltadas. Para Bárbara Libório, repórter da Aos Fatos - iniciativa especializada na checagem de informações -, o cenário vivido no Brasil favorece a disseminação de notícias falsas."Elas são utilizadas como munição no debate, para provar um ponto de vista, mas sem a preocupação em verificar se são verdadeiras", explica.

 

Em pesquisa realizada pela Aos Fatos no início deste ano, 50,8% dos entrevistados admitiram, inclusive, já terem tomado decisões baseadas em notícias que descobriram ser inverídicas. "Aí podemos estar falando de tomar ou não a vacina da febre amarela, mas também pode ser o voto em uma eleição", destacou. O exemplo dá o peso de como uma simples informação falsa pode ter impacto decisivo.

 

Não por acaso, têm se multiplicado iniciativas do chamado fact-checking. O objetivo é analisar a veracidade das informações que circulam. Para Bárbara, a criação dessas instâncias de checagem tem gerado reflexão entre os próprios políticos. "Esperamos que eles se sintam cada vez mais constrangidos em usar dados falsos ou distorcidos" reforça.

 

DIFUSÃO É MAIS RÁPIDA

 

Estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e publicado na revista científica Science mostra que histórias falsas têm 70% mais probabilidade de compartilhamento no Twitter, rede social utilizada para a análise. Para chegar à conclusão, foram verificados 126 mil rumores, compartilhados por cerca de três milhões de usuários desde 2006 até o ano passado.

 

CULPA DOS BOTS?

 

O estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts trouxe, ainda, outro dado curioso sobre as fake news: os números mais expressivos de compartilhamento são resultado da interação de usuários reais,e não uma consequência dos "bots" (ou robôs), como são conhecidos os softwares criados para simular ações humanas de maneira padrão e repetida.

 

Bárbara entende que o robô é capaz de aumentar o alcance de uma notícia e garantir que ela chegue a locais que não atingiria naturalmente. Por outro lado, ele não passa a confiabilidade da informação compartilhada por um amigo - que também pode ser, no fim de contas, fake news.

 

COMO IDENTIFICAR

 

E você, sabe dizer se uma notícia é verdadeira ou falsa? Na dúvida, vale ligar o sinal de alerta e tomar alguns cuidados básicos de checagem:

 

  • Chamadas sensacionalistas: Para atrair a atenção do leitor, as notícias falsas costumam trazer títulos sensacionalistas, que induzem à curiosidade e ao clique. Em outros casos, a chamada não condiz com as informações descritas no corpo do texto.
  • Data da publicação: Às vezes, a notícia não é propriamente falsa, mas antiga. Ou seja, talvez aquela declaração bombástica que a manchete sugere tenha sido dita em outro contexto, muitos anos antes. Por isso, verifique sempre a data da publicação.
  • Fontes da notícia: Quem disse isso? A matéria cita fontes? Elas são confiáveis? Muitas vezes, toda a informação é construída com base em um "estudo revolucionário" realizado sem critérios científicos sérios, ou mesmo apenas com caráter opinativo. Na dúvida, prefira matérias que indicam o link do estudo.
  • Adjetivação: Notícias falsas costumam abusar dos adjetivos e de um discurso inflamado, diferente do padrão comum da imprensa.
  • Endereço da página: Muitos sites que propagam notícias falsas adotam nomes semelhantes aos de veículos reconhecidos da imprensa, tentando se passar por eles. Na dúvida, busque o site original e compare.
  • Pesquisa no Gooqle: Outra forma rápida de identificar uma notícia falsa é fazer uma pesquisa no Google e verificar se existem outros sites falando sobre o assunto. Há, inclusive, sites especializados em checar Informações (como Boatos.org, Aos Fatos, Agência Lupa).

 

 

Fonte: Revista Vox Médica

 

Como uma paleta de cores, ele se desenha em nuances sutis, que mostram gradações das mais brandas até as mais intensas. Não por acaso, também recebe o nome de espectro. Para a psiquiatra Luciana Bridi, o autismo era exclusividade do trabalho como médica, até que recebeu o diagnóstico de seu filho caçula, Pedro, e precisou reaprender o significado da condição, ainda sem cura.

 

Atenção redobrada, sensibilidade, compreensão, insegurança e muitas dúvidas. Sentimentos que ainda hoje preenchem os dias de Luciana. "Mesmo sendo médica psiquiatra, foi muito difícil lidar com o diagnóstico. É uma condição crônica'; explica.

 

CONSCIENTIZAÇÃO DO AUTISMO

 

Sua experiência com Pedro incentivou Luciana a escrever a história de um menino autista que busca a inclusão na sociedade por meio dos sonhos das pessoas. A trama acabou se transformando na obra "O Menino e o Sonho", livro da médica publicado em 2016 pela Age Editora.

 

Emocionada, ela conta que o filho já perguntou se ele era o menino do livro. "Eu disse que até foi em algum momento. Mas eu o vi mudar tanto com o tratamento, que hoje a realidade já é outra': explica a psiquiatra.

 

Com ilustrações do artista gráfico Paulo Thumé, a obra ajuda familiares a romper preconceitos. É também acessível a pessoas com deficiência visual, contendo um CD com a narração da história.

 

REDESCOBERTA

 

Pedra foi diagnosticado como autista com um ano e meio, em 2012, depois de algumas idas e vindas. A desconfiança de que havia algo incomum veio a partir de sinais da rotina: com pouco mais de um ano, ele ainda não engatinhava, não compreendia o que a mãe falava e não aprendia coisas típicas da fase."Desde lá, é um aprendizado diário", relata.

 

Mesmo sendo psiquiatra, Luciana confessa que não dominava todos os aspectos da doença: foi por conta do filho que ela passou a conhecer os detalhes do autismo e se transformou em uma militante na área."Sempre lembro de uma frase que ouvi certa vez de um pai e que me marcou. Ela diz que quando o amor é maior que o susto, tudo se resolve': destaca.

 

Fonte: Revista Vox Médica

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