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Pelo menos 750 pedidos de cirurgias eletivas constam como pendentes na lista de regulação dos estados e capitais há mais de 10 anos. O número foi extraído apenas das filas dos estados e capitais que atenderam ao pedido de acesso à informação do Conselho Federal de Medicina (CFM), mas já revelam uma sistêmica fragilidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) que afliige pacientes e famílias em todo o País.

 

Um paciente de 36 anos, morador de Fortaleza (CE), confirmou que entrou na fila de espera para retirar um tumor de mama ainda em 2007. Há um ano ele decidiu não esperar mais. “Me ligavam todo ano para agendar a cirurgia, que nunca aconteceu. No ano passado desisti de esperar e resolvi ‘pagar particular’”, conta o homem que preferiu não ser identificado.

 

Embora trate-se de procedimentos que não precisam ser realizados em caráter de urgência, ou seja, podem ser agendados, em muitos casos o tempo é crucial. “O mais grave é que, em determinadas cirurgias, a espera complica o quadro do paciente, que pode ter sua saúde comprometida. Não são raras as cirurgias eletivas que evoluem para uma cirurgia de emergência, cujas consequências podem ser trágicas”, explica Hermann von Tiesenhausen, diretor de Comunicação e Informática do CFM.

 

Pacientes – A cada mil pacientes que aguardam uma cirurgia, cinco morrem por ano, durante a espera. O paciente que aguarda sete anos na fila tem 18% mais chances de morrer do que o doente operado de imediato. É o que aponta a pesquisa, liderada pelo médico Ricardo Cohen, membro da Câmara Técnica sobre Cirurgia Bariátrica e Síndrome Metabólica do CFM e coordenador do Centro de Obesidade e Diabete do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que avaliou as consequências da demora no acesso ao procedimento.

 

Para realizar uma cirurgia eletiva, o paciente deve passar por uma avaliação médica na rede do SUS que confirme a necessidade de realização. Atualmente, as cirurgias eletivas mais comuns pertencem às áreas de ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia, urologia e cirurgia vascular.

 

Fila única desafia gestores da rede pública

 

Na maioria dos estados e capitais, os gestores responsáveis pela administração da fila de cirurgias têm dados parciais sobre a demanda reprimida ou nem sequer os possuem. Em muitos casos, a responsabilidade pela regulação é transferida aos hospitais, que definem suas próprias prioridades. O desafio de organizar a fila de cirurgias passou a ter atenção especial em maio deste ano, quando o Ministério da Saúde sinalizou uma estratégia para ampliação do acesso aos Procedimentos Cirúrgicos Eletivos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

A ideia do Ministério é adotar valores diferenciados para o pagamento de alguns procedimentos – uma espécie de incentivo financeiro para estados e municí- pios que aderirem à chamada Fila Única – reduzindo, assim, o tempo de espera por cirurgias por meio do atendimento de rotina ou de mutirões. Até o momento, no entanto, a Fila Única do SUS não foi anunciada pelo Ministério da Saúde.

 

Caso – Um exemplo positivo de organização da fila foi identificado em Minas Gerais, onde, desde janeiro de 2016, foi criado o SUSfácilMG: funcionalidade que tem como objetivo traçar a demanda real do estado para acesso às cirurgias eletivas e diminuir a fragmentação das informações.

 

Em Minas estão concentradas cerca de 54% das 801 mil cirurgias declaradas pelos estados brasileiros. O volume não indica, no entanto, que mais mineiros estejam na fila, mas sugere que a regulação naquele estado está melhor sistematizada, segundo explica a pró- pria Secretaria de Saúde.

 

Em São Paulo, estado mais populoso do País, a fila chega a quase 144 mil procedimentos. Curiosamente, um quarto da demanda do estado é de pacientes que residem na capital (25.544) e na cidade de Franca (10.053), uma das maiores do interior. No estado, quase metade dos procedimentos mais demandados envolvem cirurgias de catarata, de vesícula e varizes

 

10 capitais concentram 103 mil esperas

 

Entre as capitais que apresentaram os dados está a cidade de São Paulo, com quase 31 mil cirurgias pendentes. A maioria está concentrada na especialidade de ortopedia, sobretudo em cirurgias do joelho (11.679), pé e tornozelo (4.179), ombro e cotovelo (3.151) e pediatria (2.322). Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o objetivo é “zerar a fi la de espera por meio do Corujão da Cirurgia, que teve seu início em maio e consiste em centros cirúrgicos de cinco hospitais realizarem operações 24 horas por dia, sete dias por semana”.

 

Assim como em outras localidades, as informações apresentadas se referem a procedimentos pendentes, ou seja, um mesmo paciente pode estar mais de uma vez no arquivo caso tenha uma solicitação com mais de um procedimento informado. “É necessário esclarecer que existe diferença entre o total de linhas e total de pacientes que de fato aguardam a cirurgia”, pontuou a Secretaria de São Paulo.

 

Em Belo Horizonte (MG), uma das poucas cidades que unificaram dados sobre cirurgias numa central, cerca 25,9 mil cirurgias aguardam efetivação – 75% delas envolvendo o sistema osteomuscular, o aparelho geniturinário ou as vias aéreas superiores: face, cabeça e pescoço.

 

Fonte: Jornal Medicina CFM - out/2017

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