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No país das prioridades equivocadas, o dinheiro que flui fácil – muitas vezes com cheiro fétido como a água que tem jorrado das torneiras em Porto Alegre – para setores privilegiados, precisa ser extraído a fórceps pelos esquecidos, os que foram relegados a plano secundário, justamente aqueles que podem proporcionar direta ou indiretamente benefícios à sociedade como um todo.

 

Foi o que aconteceu recentemente quando uma comitiva de parlamentares gaúchos teve de ir a Brasília reivindicar verbas para que a obra da nova ponte do Guaíba possa ser retomada e o cronograma mantido. Conseguiram, a muito custo, R$ 100 milhões em cinco parcelas, valor que garante a continuidade dos trabalhos, mas não a conclusão da estrutura, orçada em R$ 740 milhões.

 

Um valor expressivo, mas que perto dos R$ 40 bilhões gastos para a realização dos Jogos Olímpicos soa como moedas tilintando no bolso, ainda mais se compararmos a importância da obra com estruturas – algumas provisórias – que estão sendo erguidas para abrigar essa ou aquela modalidade esportiva.

 

O que poderia ser feito com todo esse dinheiro? Para começar, seria possível construir 18 novas pontes iguais. Mas ninguém, com bom senso e verdadeira preocupação social, deixaria de aplicar a maior parte dos recursos naquilo que o brasileiro mais necessita já faz tempo: saúde, educação e segurança.

 

É por isso que o povo clama, se revolta, ao ponto de muita gente, pelas redes sociais, ter manifestado desejo de apagar a tocha olímpica, cujo passeio pelo Brasil custou em torno de R$ 10 milhões, conta paga pelo governo federal e pelos estados e municípios que fizeram questão de participar desse ato.

 

A verdade é que não fosse este o país das prioridades equivocadas, que já gastou o que não tinha com a Copa do Mundo para alegria das empreiteiras e agora não só repete como dobra a dose, haveria maior investimento em áreas nevrálgicas, essenciais para o cidadão que sofre cada vez mais para ter acesso a serviços básicos, em especial na saúde.

 

A tendência é de que com o desemprego crescente a busca por atendimento na rede pública seja tão penoso quanto uma maratona ou tão árduo quanto uma corrida de obstáculos; que a marcação de uma consulta com especialista seja como conquistar uma medalha de prata; e a realização de exames um pouco mais complexos seja equivalente a uma medalha de ouro.

 

O certo é que o pódio para a saúde – e também para educação e segurança – é um sonho distante. Com o desemprego alarmante, cresce o número de usuários que deixam de pagar seus planos de saúde. De acordo com a ANS, no primeiro trimestre as empresas do setor perderam 617 mil clientes, número que pode passar de um milhão de beneficiários até o final do ano, repetindo 2015.

 

Com isso, são mais pessoas recorrendo ao SUS, onde o quadro é desolador. Hospitais fecham leitos, reduzem internações, demitem e atrasam salários. Os médicos, por sua vez, se desdobram para atender dentro de suas limitações. Muitos trabalhando sem receber há vários meses. No Rio Grande do Sul, sete em cada dez hospitais da rede filantrópica – a maior do Estado – estão com honorários médicos atrasados.

 

Tudo poderia ser muito diferente se a saúde fosse prioridade além dos palanques eleitorais – onde é sempre lembrada com vigor e entusiasmo pelos candidatos –, com mais investimento e maior eficiência na gestão. Infelizmente, o resultado desse descaso revoltante é que nessa dramática olimpíada pela saúde, uma simples maca pode valer mais que qualquer medalha de ouro.

 

Fonte: Revista Cremers | julho 2016

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