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A oferta de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) em estabelecimentos públicos ou conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) não está disponível em 91% das cidades brasileiras. O dado faz parte de recente análise do Conselho Federal de Medicina (CFM), que mapeou a distribuição dos leitos de UTI entre os estados e as capitais, além da oferta nas redes pública e privada, para tentar compreender um cenário que aflige milhares de médicos diariamente: hospitais com alas vermelhas superlotadas, repletas de pacientes improvisadamente entubados e à espera de infraestrutura apropriada para cuidados mais intensivos.

 

Ao todo, o Brasil possui quase 41 mil leitos de UTI, segundo informações do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Metade deles está disponível para o SUS, que potencialmente atende aos 204 milhões de brasileiros, e a outra metade é reservada à saúde privada ou suplementar (planos de saúde), que hoje atende a aproximadamente 25% da população. Embora o número de leitos de UTI tenha aumentado nos últimos anos – algo em torno de 7.500 de 2010 a 2015 –, a quantidade de leitos no SUS ainda é insuficiente, pois a demanda é crescente e ininterrupta.

 

“Todos os dias, nós, médicos, testemunhamos a morte de pessoas que poderiam ser salvas pela disponibilidade de um leito de UTI. Para os governos, quando um paciente morre, trata-se apenas de mais um número. Para a família, no entanto, é uma tragédia”, critica Mauro Ribeiro, 1º vice-presidente do CFM.

 

Na avaliação dele, o lado mais desumano e perverso dentro do caos que assola a saúde pública no Brasil está na falta de leitos de UTI, onde pacientes entubados em ventiladores improvisados morrem de causas evitáveis. “Por mais que os médicos e toda a equipe multiprofissional se dediquem a salvá-los, esses pacientes não estão onde deveriam estar. A gama instrumental de uma UTI, aliada à capacidade da equipe que atua nela, permitiria que muitas pessoas fossem salvas. Então necessitamos urgentemente de políticas públicas que facilitem o acesso dos pacientes às unidades de terapia intensiva”, defendeu.

 

Leitos abaixo do ideal – Segundo o levantamento do CFM, em 70% dos estados não há o número de leitos de UTI preconizado pelo Ministério da Saúde para garantir o bom atendimento de sua população. Segundo a portaria ministerial nº 1.101/2002, deve existir de 2,5 a 3 leitos hospitalares por cada 1 mil habitantes. Já a oferta necessária de leitos de UTI deve  car entre 4% e 10% do total de leitos hospitalares, o que corresponde a um índice de um a três leitos de UTI para cada 10 mil habitantes.

 

Se consideradas as unidades públicas e privadas, a quantidade de leitos de UTI representam atualmente 9,3% dos leitos de internação existentes no Brasil – em outras palavras, existe 1,86 leito para cada grupo de 10 mil habitantes. Proporcionalmente, no entanto, o SUS conta com 0,95 leitos de UTI para cada grupo de 10 mil habitantes, enquanto a rede “não SUS” tem 4,5 leitos para cada 10 mil beneficiários de planos de saúde – quase cinco vezes a oferta da rede pública.

 

Em 19 unidades da federação, o índice de UTI por habitante na rede pública é inferior ao preconizado pelo próprio Ministério – todos os estados das regiões Norte (menos Rondônia), Nordeste (exceto Pernambuco e Sergipe) e Centro-Oeste, além do Rio de Janeiro e Santa Catarina. No Acre, Roraima, Amapá e Maranhão, o índice permanece abaixo do ideal, mesmo se considerados os leitos privados disponíveis nesses estados.

 

Quando se observam as capitais, também é possível ver o desequilíbrio entre a oferta de leitos SUS e “não SUS”. Brasília (0,96 leito por 10 mil habitantes) e Rio de Janeiro (1,04), por exemplo, estão entre as piores capitais no setor público. Por outro lado, ambas estão entre as melhores capitais na proporção de leito privado ou suplementar: 8,2 e 8,1, respectivamente.

 

Regiões refletem desigualdade na oferta de leitos de UTI dentro da rede pública 

 

O estudo do CFM também chama atenção para a distribuição geográfica dos leitos de UTI. Só o Sudeste concentra 22.200 (54%) das unidades de terapia intensiva de todo o País; 47% do total de públicos e 61% dos privados. Já o Norte tem a menor proporção: apenas 2.058 (5%) de todos os leitos; 5,7% no âmbito do SUS e 4,4% na rede particular.

 

Os dados revelam ainda que os sete estados da região Norte possuem, juntos, menos leitos de UTI no SUS do que todo o estado do Rio de Janeiro: 2.430 unidades. Enquanto isso, São Paulo possui 26% dos leitos públicos disponíveis no Brasil, o que equivale quase à totalidade dos públicos das regiões Norte e Nordeste.

 

Amapá e Roraima, por outro lado, possuem, juntos, somente 56 leitos de UTI no SUS, o que representa 0,3% das unidades desse tipo no País. Quando comparados aos números do Mato Grosso do Sul, por exemplo, verifica-se que ele tem quatro vezes mais leitos do SUS à disposição que os dois da Região Norte. Ressalta-se que a soma das populações amapaense e roraimense corresponde, aproximadamente, à metade dos sulmatogrossenses.

 

Outro alerta do CFM é de que 44% dos leitos de UTI no SUS e 57% dos privados do Brasil se encontram apenas nas capitais. Se observada a repartição entre as regiões metropolitanas, constata-se que 69% das unidades do SUS e 81% da rede privada e suplementar estão concentradas nessas áreas.

 

A falta de leitos desse perfil tem levado cada vez mais pacientes e seus familiares a recorrerem à Justiça para garantir internações em hospitais. É a chamada judicialização da saúde, que só em 2014 levou o Ministério da Saúde a arcar com R$ 838,4 milhões em decorrência de ações judiciais exigindo, principalmente, leito de UTI e medicamentos de alto custo.

 

Fonte: Jornal Medicina | maio 2016

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Possui graduação em Medicina pela Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (1993) e especialização profissional em...

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